Casas Bahia fecha quase 300 lojas, demite cerca de 2 mil e acende luz vermelha no varejo

O Grupo Casas Bahia iniciou uma nova rodada de cortes que amplia a pressão sobre uma das maiores redes do varejo brasileiro.
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A empresa fechou 298 lojas e desligou cerca de 1.900 trabalhadores em apenas dois dias, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira. O número se aproxima dos 296 estabelecimentos inicialmente apontados e representa um dos maiores movimentos recentes de redução da estrutura da companhia.

A dimensão do corte chama atenção porque ocorre poucos meses depois de a empresa apresentar uma estratégia de recuperação financeira e redução de despesas.

Em maio, o Grupo Casas Bahia informava ter reduzido sua dívida em R$ 4,6 bilhões ao longo do processo de reestruturação iniciado em 2023. A companhia também afirmava estar entrando em uma nova fase, com foco em geração de caixa e rentabilidade.

O problema, porém, continua sendo o desempenho operacional e a necessidade de reduzir custos em um ambiente de crédito caro e consumo pressionado.

No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou prejuízo de R$ 1,1 bilhão, segundo informações divulgadas nesta semana.

O fechamento das unidades também representa uma mudança importante na estratégia de presença física. Em maio, o grupo contabilizava 1.039 lojas, sendo 922 Casas Bahia e 117 Pontos Frio.

A empresa, portanto, reduz significativamente sua presença física justamente enquanto tenta tornar a operação mais eficiente e concentrada.

O movimento acendeu uma luz de alerta entre trabalhadores e entidades sindicais. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região anunciou ação coletiva, alegando falta de negociação prévia nas demissões.

A Casas Bahia ainda não havia se manifestado sobre a ação sindical até a publicação das informações.

O contraste entre a redução da dívida, anunciada pela companhia como avanço da reestruturação, e a necessidade de fechar centenas de lojas e cortar milhares de empregos mostra que o processo de recuperação ainda está longe de ser concluído.

O varejo brasileiro acompanha o caso como um sinal de que, mesmo entre grandes marcas, eficiência financeira, crédito e consumo continuam determinando o tamanho das operações.