Excesso de terceirização, problemas administrativos que se estendem do Hospital Universitário (HU) ao Restaurante Universitário (RU), falta de infraestrutura nos campus e falhas na vigilância compõem a complexa lista de desafios da Universidade Estadual de Maringá (UEM). A solução para esses gargalos não dependerá exclusivamente da chapa vitoriosa na eleição para a Reitoria na próxima segunda-feira (17), mas demandará também uma articulação política direta para a celebração de acordos e parcerias com o Governo do Estado do Paraná.
Essas demandas históricas — e outras pontuais — deram o tom da reta final do pleito. Um debate aparentemente morno, realizado na noite de quinta-feira (13) diante de um RU lotado, ganhou contornos inflamados a partir do momento em que alunos, professores e servidores técnico-administrativos assumiram o microfone para questionar os candidatos diretamente sobre os assuntos mais sensíveis e espinhosos da instituição.
Sucateamento na segurança
Entre os discursos mais acalorados esteve o desabafo do servidor Otávio Roberto, agente de segurança interna que completa 40 anos de atuação na universidade no próximo mês de setembro. Em tom de protesto, ele cobrou dos candidatos propostas concretas para combater a precarização do setor. O agente denunciou que viaturas e motos estão paradas por falta de manutenção, ressaltando que, com a recente aposentadoria de três colegas, a equipe se encontra totalmente desamparada.
Otávio criticou o distanciamento do atual reitor, que nunca teria reunido a categoria para ouvir suas pautas, e cobrou que o setor seja transformado em uma Diretoria de Segurança Universitária vinculada diretamente à Reitoria, garantindo assim recursos orçamentários próprios e assessoria jurídica adequada para a rotina ininterrupta de 24 horas.
Em entrevista ao Maringá Post, o servidor reafirmou as denúncias e detalhou os números que evidenciam a crise no setor. Segundo Otávio, a opção da gestão por contratos terceirizados não tem suprido as necessidades da instituição, uma vez que os trabalhadores contratados não possuem o conhecimento prático da rotina do campus e frequentemente precisam recorrer aos servidores de carreira durante as ocorrências.
Atualmente, a UEM conta com apenas 60 agentes concursados para dividir o atendimento entre o campus sede, a Fazenda Experimental e o Hospital Universitário. “No campus principal, trabalham apenas 28 efetivos e 18 terceirizados, enquanto o HU dispõe de oito contratados e a fazenda conta com três”, contou Otávio.
Para que a universidade pudesse dispensar a terceirização no campus sede e operar com três turnos de oito horas em condições ideais, o servidor estima que seriam necessários ao menos 120 agentes efetivos. Ele ressaltou ainda a falta de uniformes e lamentou o descarte da carreira pública sob a justificativa governamental de vacância dos cargos. “A administração esqueceu do fator humano, fundamental para prestar o atendimento presencial e socorrer membros da comunidade universitária em situações de emergência”, ponderou o agente, lembrando que o investimento em câmeras de monitoramento, embora importante, não resolve o problema sozinho.
Em nota, a UEM contestou as declarações do servidor:
NOTA AO MARINGÁ POST
A Universidade Estadual de Maringá (UEM) vem se manifestar a este Portal de Notícias, a respeito da declaração feita por um participante durante o debate entre os candidatos à Reitoria, sobre a suposta falta de investimentos na segurança da instituição.
No último dia 30 de julho, entrou em vigência o contrato para a entrega de uniformes destinados a diversos setores da universidade, incluindo os servidores da segurança, conforme o Registro de Contrato nº 102477 e a Solicitação de Compra nº 130539.
Sobre a alegação de falta de veículos e equipamentos motorizados, a atual gestão promoveu a maior renovação de frota da história da universidade, com a aquisição de 44 novos veículos, totalizando R$ 9.694.957,60, além de tratores, caminhonetes e minicarregadeiras distribuídos para diversos setores. Especificamente para a segurança, foram destinadas 5 (cinco) motocicletas (SIPOM), no valor total de R$ 178.617,45, conforme o Pregão Eletrônico nº 90003/25.
Também foram adquiridos outros equipamentos fundamentais de trabalho, como 45 radiocomunicadores para a Segurança Patrimonial, garantindo a execução das atividades e proporcionando um ambiente mais seguro para todos. Ao todo, este investimento somou R$ 143 mil.
Ressalta-se, ainda, a melhoria contínua das condições de trabalho dos servidores: os ambientes do setor foram equipados com novas geladeiras, micro-ondas, fogões, bebedouros e aparelhos de TV de 75 polegadas, visando maior comodidade e bem-estar às equipes.
Além desses aportes, a atual gestão iniciou um amplo processo de modernização e expansão do sistema de segurança em toda a universidade. Foram investidos R$ 8,8 milhões na central de monitoramento, bem como na instalação e substituição de câmeras nos diversos setores e campi.
Até 2022, o câmpus sede contava com 159 câmeras instaladas, das quais 30 estavam inoperantes. Além de substituir os equipamentos defasados, a UEM instalou mais 576 aparelhos, totalizando 735 câmeras no câmpus de Maringá. No Hospital Universitário (HU), foram instaladas 457 câmeras. Em somatória com os demais campi, a UEM conta hoje com 1.746 câmeras em funcionamento.
Como resultado direto dessas medidas, o número de ocorrências registradas no câmpus caiu de cerca de 100 ao ano (patamar anterior à atual gestão) para aproximadamente 30, uma redução expressiva de 70%, o que garante mais tranquilidade à comunidade acadêmica.
Outro avanço importante é que o atual sistema de monitoramento da universidade está apto para ser integrado ao Centro de Segurança e Inteligência (CSI) de Maringá, fortalecendo a cooperação com as forças policiais e tornando o atendimento à comunidade ainda mais ágil e eficiente.
Desta forma, reiteramos que as acusações proferidas no referido debate e reproduzidas por veículo de comunicação não correspondem à realidade dos fatos. Haja vista o período eleitoral para a escolha da nova gestão da Reitoria, a universidade reforça seu compromisso com a verdade e com a transparência das informações.
Certos de que a Gestão 2022-2026 realizou uma das maiores transformações na infraestrutura da Universidade Estadual de Maringá, agradecemos a atenção.
Candidatos avaliam o debate e apresentam plataformas
O debate reuniu os candidatos a reitor e vice-reitor das três chapas concorrentes e contou com torcidas empolgadas, formadas principalmente por professores e agentes universitários. Após o confronto de ideias, os postulantes à Reitoria conversaram com o Maringá Post.
Chapa 1
“Achei que o debate foi bastante produtivo, foi um momento também da gente discutir ideias, discutir projetos e entender também os posicionamentos políticos dos candidatos. Considero, a partir do resultado, que eu e a professora Maria Cristina somos as mais preparadas e a gente tem a confiança de que seremos muito bem votadas na segunda-feira, quem sabe eleitas em primeiro turno, mas se não, com certeza no segundo turno”, avaliou Priscila Garcia Marques, candidata da Chapa 1 ( UEM nos Une) tendo com vice Maria Cristina Gomes Machado.
O foco da chapa é o acolhimento estudantil e segurança do campus. Também defende o fortalecimento das condições de permanência estudantil para conter a evasão e a ampliação de parcerias com as forças de segurança pública para expandir o patrulhamento preventivo nos arredores do campus de Maringá.
Chapa 2
“O futuro da universidade não pode ser discutido só a cada quatro anos, mas de forma permanente, por isso que a nossa chapa 2 propõe assembleias universitárias. Afinal de contas, a universidade está inserida numa comunidade e não pode se afastar dela. O debate foi uma oportunidade de fazer interlocução com as pessoas, não perguntar só entre os candidatos, mas também interagir com as pessoas que fizeram perguntas interessantíssimas sobre o futuro da nossa universidade”, declarou Gisele Mendes de Carvalho da chapa Em Defesa da UEM que tem como vice Geovanio Ederval Rossato.
O foco é a Reestruturação administrativa, infraestrutura e pós-graduação. Propõe a criação de uma Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, realização de assembleias universitárias permanentes e maior autonomia na pesquisa, transformando os programas de mestrado e doutorado em subunidades administrativas independentes, dotadas de mais verba e estrutura.
Chapa 3
“Nós podemos debater várias ideias da nossa chapa, colocar para a nossa sociedade de uma forma mais ampla aquilo que pensamos em vários pontos que estão no nosso plano de gestão e também ouvir o que as outras chapas estão colocando. Temos a certeza que estamos em um bom caminho, que o nosso plano está bem projetado, que nossas propostas estão bem alinhadas com aquilo que a Universidade precisa”, afirmou Romel Dias Vanderlei da chapa União e Modernização que inclui Adriana Aparecida Pinto como candidata a vice reitora.
A chapa defende Inovação tecnológica, desburocratização e infraestrutura digital. Defende a implementação do programa “UEM 100% Digital” para extinguir processos físicos, a atualização do Estatuto e Regimento Geral, a criação de uma central única de compras, a expansão do Restaurante Universitário (RU) e o fomento ao novo Parque Tecnológico.
Votação ocorre nesta segunda-feira
A comunidade universitária vai às urnas nesta segunda-feira (17) para escolher a nova gestão da Reitoria. Serão instaladas 40 urnas presenciais, distribuídas da seguinte forma:
- 25 urnas no Campus Sede (Maringá);
- 3 urnas no Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM);
- 12 urnas divididas entre os campi regionais e polos de Educação a Distância (EaD).
Caso nenhuma das chapas atinja a maioria necessária no primeiro turno, o segundo turno das eleições já está agendado para o dia 31 de agosto.
Matéria atualizada às 18h16























