A defesa da vereadora Professora Ana Lúcia (PDT) diz ter provas documentais que buscam rebater as acusações de assédio moral feitas por seu ex-assessor, o publicitário Vinícius Emmanuel Felice de Oliveira França. Tratam-se de prints de conversas de WhatsApp entre o denunciante e o atual chefe de gabinete da parlamentar, Gustavo Ramos Schuindt — que também ocupa o cargo de secretário-geral do diretório do PDT em Maringá.
Gustavo foi a principal testemunha da defesa ouvida nesta terça-feira pela Comissão Processante (CP) da Câmara de Maringá, composta pelos vereadores Guilherme Machado (PL), Luiz Neto (Agir) e Akemi Nishimori (PSD). A comissão não atendeu ao pedido da defesa para que fossem exibidos publicamente as capturas de tela durante a sessão, mas autorizou a inclusão do material nos autos do processo.
Segundo a defesa, as mensagens corroboram o depoimento de Gustavo e rebatem não apenas as alegações de assédio, mas também questionamentos sobre obrigatoriedade de contribuição partidária e a rotina de trabalho no gabinete.
Contribuição partidária
O ex-assessor havia afirmado que era obrigado a contribuir mensalmente com o PDT, fato negado pela defesa. De acordo com a defesa, a contribuição é uma prática comum entre filiados do partido. “Há mensagens do final de 2025 nas quais o Vinícius teria se comprometido a se filiar ao PDT — não como condição, mas como parte do compromisso para voltar a trabalhar com a vereadora”, afirmou o advogado da vereadora, Marcos Alexandre.
Gustavo destacou que o denunciante teve duas passagens pelo gabinete. A primeira teria sido bem-sucedida, motivando sua recontratação. No segundo período, porém, a qualidade do trabalho e o comportamento de Vinícius teriam desgastado a relação profissional: “Ele chegou empoderado, achando que era o membro mais importante da equipe, e acredito que não me aceitava como chefe de gabinete. O Vinícius não tinha compromisso de horário com pautas e tarefas. Foi uma situação de constrangimento. na verdade, era eu quem sofria assédio moral”, declarou Gustavo.
Ao final da oitiva, a testemunha revelou ter começado a tomar medicamentos para dormir devido ao estresse e informou que avalia processar o ex-assessor.
Acusações de fraude no ponto
Uma das denúncias mais graves feitas por Vinícius refere-se a uma suposta proposta para mantê-lo no cargo por mais um mês após a decisão de exonerá-lo, permitindo que registrasse a frequência sem trabalhar. A comissão aceitou a inclusão de um áudio gravado pelo ex-assessor durante conversa com o chefe de gabinete.
Em seu depoimento, porém, Gustavo garantiu jamais ter presenciado qualquer ato de assédio por parte da vereadora e explicou o contexto da exoneração. Ele afirmou que o ex-assessor havia sido avisado sobre a exoneração e recebido uma lista de pautas para concluir antes do desligamento oficial. “Encaminhei uma série de atividades para ele fazer até a exoneração, mas isso não se consumou. Os trabalhos entregues estavam aquém do que ele já havia produzido na primeira passagem”, justificou.
Outras testemunhas
A comissão também ouviu o ex-servidor Lucas Rossi, que trabalhou por dois meses e meio no gabinete do vereador Lemuel (PDT). Lucas afirmou não ser amigo do denunciante e declarou não ter presenciado nenhum dos fatos alegados sobre assédio. Ele também informou não lembrar o valor exato de contribuição solicitado pelo partido.
A chefe de gabinete do vereador Ítalo Maroneze (PDT), Amanda Larissa Nasato, não pôde comparecer por motivos de saúde. Ela e outras testemunhas serão convidadas para a próxima oitiva, agendada para quarta-feira (19), às 13h, na Câmara Municipal.
Rito do processo
O procedimento segue as diretrizes do Decreto-Lei nº 201/1967, que regulamenta os processos de cassação de mandato parlamentar. O rito assegura à denunciada o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao acompanhamento de todos os atos.
Concluída a fase de instrução, a defesa terá prazo para apresentar suas razões finais. Em seguida, a Comissão Processante emitirá um parecer conclusivo pela procedência ou improcedência da denúncia. O relatório final será submetido à votação no Plenário da Câmara Municipal de Maringá, a quem cabe a decisão soberana.


















