Ausência nos debates: quem ganha quando os grandes candidatos decidem não enfrentar os adversários?

Estratégia pode proteger favoritos de ataques, mas entrega aos concorrentes um palco livre para se autopromover
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*Paulo Vergueiro – Especial para o Maringá Post

A campanha eleitoral de 2026 começa a colocar uma questão estratégica no centro da disputa: participar ou não dos debates. Para os candidatos mais conhecidos, principalmente aqueles que aparecem nas primeiras posições das pesquisas, o debate representa simultaneamente uma oportunidade e um risco.

A lógica é simples. Quem está na frente pode ter mais a perder do que a ganhar em um confronto direto. Uma resposta considerada ruim, uma gafe ou um ataque bem-sucedido do adversário pode transformar alguns minutos de televisão em um problema eleitoral.

Por outro lado, a ausência também tem custo. Sem o candidato no palco, os adversários podem utilizar o espaço para criticá-lo sem que haja uma resposta imediata. A estratégia pode funcionar como proteção, mas também pode criar a imagem de que o candidato está evitando o confronto.

Primeiro, nos Estados

 Antes mesmo dos encontros nacionais, a discussão já apareceu nos eventos estaduais. No primeiro debate para os governos dos estados, promovido pela Band, foram registradas ausências importantes, entre elas Eduardo Paes, no Rio de Janeiro; Sérgio Moro, no Paraná; Pedro Brito, no Ceará; e do atual governador do Amazonas, Roberto Cidade.

Na disputa presidencial, o cenário é particularmente delicado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que ainda avaliava a participação dele e disse que os debates deveriam priorizar propostas, e não ataques e provocações.

Para um candidato líder, portanto, faltar pode significar reduzir a exposição a situações de risco. Mas, para os concorrentes, a ausência pode ser uma oportunidade para transformar o debate em uma espécie de tribunal político: o candidato que não está presente não pode responder.

Vantagens e Interesses

O efeito é ainda maior quando existe uma disputa apertada. Levantamento recente da Quaest/Genial mostrou Lula à frente de Flávio Bolsonaro, mas com redução da distância entre os dois, indicando uma corrida mais competitiva.

Nesse cenário, os candidatos que precisam crescer tendem a ter mais interesse nos debates. Para eles, alguns minutos de televisão podem representar uma das poucas oportunidades de alcançar eleitores que ainda não acompanham as campanhas deles.

Estratégia

É justamente aí que aparece a diferença entre quem lidera e quem precisa crescer. O líder pode considerar o debate uma ameaça à vantagem conquistada. O candidato que está atrás enxerga o mesmo encontro como uma oportunidade de mudar a fotografia da eleição.

A experiência brasileira mostra que a ausência não é novidade. Em 1989, Fernando Collor evitou os debates do primeiro turno e participou apenas dos confrontos decisivos contra Luiz Inácio Lula da Silva.

Fiel da Balança

A questão, portanto, não é simplesmente saber quem comparece ou quem falta. O ponto central é descobrir quem tem mais a perder diante das câmeras e quem tem mais a ganhar ocupando o espaço deixado pelo adversário.

Na eleição de 2026, essa poderá ser uma das disputas paralelas da campanha: enquanto os candidatos discutem propostas no palco, estrategistas avaliam se é melhor enfrentar o adversário ou deixá-lo falando sozinho.

Paulo Vergueiro é jornalista

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