Durante décadas, o Habib’s transformou a esfiha em um dos símbolos do fast-food brasileiro. A primeira unidade foi aberta em São Paulo, em 1988, e a expansão por franquias começou quatro anos depois.
O cenário atual, porém, é bem diferente. O Grupo Gennius Brasil, controlador do Habib’s e de outras marcas, como Ragazzo e Tendall Grill, enfrenta dificuldades financeiras e buscou proteção judicial para negociar suas dívidas.
Em julho, a Justiça de São Paulo suspendeu por 60 dias cobranças e execuções contra 174 empresas ligadas ao grupo. O passivo informado chega a R$ 312,4 milhões, sendo mais de R$ 300 milhões concentrados em dívidas bancárias.
O que isso significa
A medida não representa, neste momento, uma recuperação judicial. O objetivo é ganhar tempo para negociar com os credores. O grupo iniciou um processo de mediação e afirma que as lojas continuam funcionando normalmente.
Entre os fatores apontados pela empresa para a deterioração financeira estão os efeitos da pandemia, as mudanças provocadas pelo avanço do delivery e o ambiente de juros elevados. A combinação afetou especialmente negócios de alimentação que dependem de grande volume de vendas e custos operacionais elevados.
O desafio do Habib’s também passa pela transformação do mercado. A rede construiu sua força oferecendo alimentação de baixo preço e grande volume, mas passou a enfrentar concorrência de restaurantes locais, redes de fast-food, aplicativos de entrega e novas opções de alimentação rápida.
A própria estratégia comercial mostra que a empresa tenta adaptar o modelo. Atualmente, o Habib’s trabalha com formatos como quiosques, lojas compactas em shoppings e unidades de rua com drive-thru. A companhia informa investimentos que partem de R$ 480 mil para quiosques e chegam a R$ 2,7 milhões em determinados modelos convencionais.
O caso revela uma mudança importante no setor: ter uma marca conhecida e uma grande rede de franquias não elimina os efeitos de custos elevados, endividamento, transformação do comportamento do consumidor e competição mais intensa.
Não é o fim!
O Habib’s, portanto, não está fechado nem decretou falência. A empresa está diante de uma negociação financeira que poderá definir os próximos passos do grupo.
A rede que ajudou a popularizar a esfiha no país agora precisa encontrar uma forma de preservar sua operação, reorganizar suas dívidas e recuperar competitividade em um mercado de alimentação muito diferente daquele que ajudou a construir.
Fontes: Justiça de São Paulo, Grupo Gennius/Habib’s, UOL, Exame e Poder360. A informação central — dívida de R$ 312,4 milhões e suspensão das cobranças por 60 dias — é de julho de 2026.


















