Evandro Araújo rejeita marketing religioso e foca em entregas para buscar o quarto mandato

Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, deputado estadual analisa o impacto da polarização, recusa fazer uso do discurso religioso e justifica permanência no Legislativo paranaense.
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Maringá — Em um cenário político ainda marcado pela polarização, a associação entre discursos religiosos e o marketing de campanha consolidou-se como ferramenta recorrente para diferentes personalidades políticas. Na contramão dessa tendência, o deputado Evandro Araújo (PSD) ressalta que prefere não fazer uso de sua trajetória religiosa no mundo da política. 

 

Em entrevista ao jornalista Ronaldo Nezo no podcast Ponto a Ponto, do jornal Maringá Post, o parlamentar detalhou como concilia sua história na Renovação Carismática Católica com uma atuação política que rejeita a exploração eleitoral da fé.

 

Araújo argumenta que a integridade de suas convicções religiosas não deve ser convertida em propaganda ou palanque na tribuna. O deputado criticou o avanço de discursos que utilizam o nome de Deus de forma rasteira para o agenciamento de votos, pontuando que os valores cristãos devem se manifestar na defesa da dignidade humana através de projetos práticos, e não na adesão automática a bancadas temáticas religiosas ou a posicionamentos extremistas.

 

A recusa aos extremos e a atuação na Alep

“Não vejo que os extremos me representem. O conteúdo da fé e do evangelho não está todo em nenhum dos lados”, afirmou o deputado, citando como exemplo sua defesa simultânea de pautas contra o aborto e de projetos voltados à recuperação civil e ao tratamento penal humanizado de detentos no sistema penitenciário. 

 

Araújo admitiu que a recusa em flertar com a polarização impõe custos políticos reais nas redes sociais. “Seguir o caminho da serenidade é muito difícil, tanto que tive um revés eleitoral grande na última eleição, mas vou continuar”, avaliou.

 

Essa mesma busca por autonomia, segundo o parlamentar, justifica sua decisão de permanecer na disputa por uma cadeira na Alep em vez de migrar para a corrida rumo à Câmara dos Deputados, em Brasília. Araújo explicou que o cenário para o Legislativo federal encontra-se altamente congestionado e que a mudança de esfera poderia limitar sua capacidade de intervenção e entrega imediata de resultados para a base regional.

 

O deputado sustentou que o mandato atual “para em pé” devido à relevância técnica das funções desempenhadas no estado, como a relatoria do Orçamento e a coordenação da frente parlamentar sobre os impactos da reforma tributária nos municípios. “Entramos em temas que eu não vejo nem deputados federais entrarem. Conseguimos entregar muito no Paraná”, concluiu.

 

Serviço

A entrevista analítica completa com o deputado estadual Evandro Araújo está disponível no canal do Maringá Post no YouTube, com produção audiovisual do VMark Estúdio e condução do jornalista Ronaldo Nezo.