Do uso responsável da IA ao combate a golpes: OAB Maringá fortalece atuação em defesa da advocacia e da sociedade

Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, o presidente Pedro Henrique Souza analisa o impacto da inteligência artificial no meio jurídico, apresenta ações de acolhimento ao advogado iniciante e faz um alerta sobre fraudes.
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Maringá — O impacto da inteligência artificial na rotina dos escritórios, a aplicação rigorosa do Estatuto da Advocacia e o suporte estrutural aos novos profissionais configuram a pauta central da gestão da OAB na região de Maringá. O cenário de transformação do setor reflete desafios na formação profissional e exige respostas institucionais da Ordem dos Advogados do Brasil.

O balanço dessa primeira metade do mandato à frente da subseção foi apresentado pelo presidente da OAB Maringá, Pedro Henrique Souza, em entrevista ao jornalista Ronaldo Nezo no podcast Ponto a Ponto, do jornal Maringá Post. A subseção atende 18 municípios e cerca de 7.800 advogados inscritos. 

Na conversa, o dirigente detalhou as ações de capacitação, os projetos de inclusão de gênero e o combate à criminalidade contra clientes.

Inteligência artificial e capacitação contínua

A utilização de ferramentas tecnológicas por advogados novatos e experientes abriu o debate sobre os limites da Inteligência Artificial. Para o presidente da subseção, a tecnologia deve atuar como recurso complementar, sem substituir o raciocínio crítico da advocacia.

“A IA é uma ferramenta super importante para o exercício da nossa advocacia. Mas o advogado tem que ter o conhecimento da tese que vai defender perante o judiciário, ter conhecimento pleno daquilo e utilizar a IA como uma ferramenta”, afirmou Pedro Henrique Souza.

Ele ressaltou também a necessidade de cautela técnica durante a elaboração de peças processuais, citando o risco de falhas nas plataformas automatizadas. “O que mais a gente escuta quando está em treinamento de inteligência artificial é a palavra: a IA alucina. Então a gente tem que estar preparado”, ponderou.

Prerrogativas e resposta a abusos

A garantia da atuação autônoma dos defensores nas 8 comarcas da região também pautou a conversa. Souza explicou que as prerrogativas profissionais funcionam como a garantia de voz do próprio cidadão perante o Estado. 

Na prática, existem algumas garantias para que o exercício da advocacia não sofra impedimentos. Mas nem sempre o que é garantido acontece na prática. Por conta disso, a subseção de Maringá já realizou três atos de desagravo público nesta gestão, incluindo um caso de assédio contra uma advogada pública na Câmara de Marialva.

Em Maringá, a aprovação de uma lei municipal fortaleceu a proteção contra abusos cometidos por agentes públicos. “Temos uma lei aqui em Maringá que declara persona non grata o agente público ou privado que violar prerrogativas. Passando pelo devido processo legal dentro da OAB, a Câmara vai declarar aquele agente persona non grata. Isso significa muito que os representantes do povo concordam que a voz do povo é feita por intermédio da advocacia”, destacou.

Suporte aos jovens advogados e liderança feminina

Com a entrada mensal de novos profissionais no mercado, a instituição estruturou iniciativas como o Projeto Sexto Ano e o Espaço 360 Graus, focado no fornecimento de salas equipadas para audiências e sustentações orais. Na área de empreendedorismo, a OAB formalizou parcerias públicas para integrar jovens advogados ao atendimento do ecossistema de microempresas.

Na valorização das mulheres, que somam parcelas crescentes dos quadros da Ordem, a Escola de Liderança de Mulheres Advogadas (ELMA) formou turmas no programa Protagonize Mais em parceria com o Sebrae. Souza frisou avanços estaduais no tema. “Aprovamos no Conselho Pleno da OAB Paraná o protocolo com perspectiva de gênero sendo aplicado ao nosso processo disciplinar. Isso é entender que a gente tem que analisar o caso concreto na perspectiva da mulher quando ela estiver envolvida lá”, explicou.

Formação acadêmica e ações comunitárias

A integração entre o meio acadêmico e o mercado de trabalho foi exemplificada pelo Congresso Jurídico Integrado (Conjuri), organizado com 10 instituições de ensino superior e que reuniu cerca de 1.800 participantes. O evento atua como ponte para a troca de teses jurídicas entre estudantes e profissionais seniores.

Na vertente social, a subseção promove ações comunitárias como a Semana da Advocacia Participativa e prepara a implantação do projeto piloto OAB Cidadania em Sarandi. A iniciativa visa estruturar a triagem e o atendimento imediato por advogados dativos para demandas como a execução de pensão alimentícia de famílias vulneráveis.

Alerta contra o golpe do falso advogado

Ao encerrar a entrevista, o presidente da OAB Maringá fez um alerta à população sobre a atuação de estelionatários que utilizam o nome e dados de escritórios locais para exigir pagamentos via Pix sob o falso pretexto de liberação de alvarás judiciais.

“Desconfiou de uma mensagem, não conhece o destinatário, teve dúvidas se é o seu advogado mesmo? Não passe nenhuma informação. Ligue no número que você já conhece ou vá até o escritório. A gente não precisa pagar nada para receber valores do judiciário. Sempre desconfie, procure o seu advogado e procure a OAB”, orientou Souza.

Serviço

O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com o presidente da OAB Maringá, Pedro Henrique Souza, está disponível no canal do Maringá Post no YouTube.

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio