Deputado critica finalidade arrecadatória do Free Flow e cobrança de pedágio antes de restauração de rodovias

Evandro Araújo denuncia o uso arrecadatório de pórticos automáticos em Marialva e o início de cobranças antes da restauração de rodovias.
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Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, Evandro Araújo denuncia o uso arrecadatório de pórticos automáticos em Marialva e o início de cobranças antes da restauração de rodovias.

Maringá — O modelo de concessões rodoviárias no Paraná enfrenta uma crise de legitimidade técnica provocada pelo descumprimento de cronogramas de investimento e pela distorção de novas tecnologias de cobrança. Usuários e lideranças regionais apontam que as melhorias estruturais prometidas nos novos contratos de longo prazo avançam em ritmo inferior à implementação de tarifas. O cenário é marcado pela cobrança antecipada em trechos precários e por barreiras eletrônicas instaladas nas franjas dos perímetros urbanos.

O diagnóstico de vulnerabilidade do interesse público foi detalhado pelo deputado estadual Evandro Araújo (PSD) em entrevista ao jornalista Ronaldo Nezo no podcast Ponto a Ponto, do jornal Maringá Post. Na avaliação do parlamentar, a operação de trechos estratégicos na região metropolitana de Maringá evidencia uma inclinação das agências reguladoras em proteger as margens financeiras das empresas em detrimento do interesse da população.

O deputado cita como exemplo o lote 4, com a introdução do sistema de cobrança automática free flow. Araújo argumenta que os pórticos eletrônicos foram concebidos pela legislação federal para taxar o motorista de forma proporcional ao quilômetro rodado.

No entanto, o deputado denuncia que as empresas deslocaram os sensores para pontos situados a menos de 700 metros dos acessos urbanos de Marialva e Mandaguari, convertendo a tecnologia em uma ferramenta de arrecadação de tarifa cheia sobre o tráfego vicinal diário. “Eles estão deslocando os pórticos com finalidade estritamente arrecadatória. Para mim, isso é uma coisa vergonhosa”, afirmou Araújo.

Manobra da ANTT e tarifas em pistas danificadas

O deputado revelou que sua equipe lavrou uma ata notarial para registrar alterações feitas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no conceito de free flow em seu site oficial, com o objetivo de alinhar o discurso regulatório ao das concessionárias após o início do debate público. “Uma agência que se presta a alterar um conceito no site para favorecer o entendimento da concessionária comete um absurdo”, criticou.

A agressividade na cobrança, segundo o parlamentar, repete-se no lote que conecta Mandaguari a Ponta Grossa, na ligação com Curitiba. Araújo constatou que a ANTT autorizou o início da cobrança de pedágio antes que a concessionária realizasse a restauração completa do pavimento asfáltico e a correção dos sistemas de drenagem.

O parlamentar ressaltou que a falta de fiscalização eficaz expõe os motoristas a riscos de segurança em pistas com poças d’água e buracos, mesmo sob tarifas elevadas que superam os R$ 60 para veículos de passeio. “Eu quase perdi o pneu do carro pagando pedágio”.

Evandro Araújo ressalta que houve avanços no modelo de contrato atual com as concessionárias de pedágio, mas ainda existem problemas. “O contrato atual é melhor estruturado que o anterior, mas o poder público precisa cobrar o privado com rigidez”, concluiu.

Serviço

A entrevista analítica completa com o deputado estadual Evandro Araújo está disponível no canal do Maringá Post no YouTube, com produção audiovisual do VMark Estúdio e condução do jornalista Ronaldo Nezo.