Maringá — As convenções partidárias e o início formal da corrida eleitoral de 2026 consolidam as estratégias desenhadas pelas principais forças políticas do Paraná. O cenário atual do estado é balizado pelo desdobramento da indicação de Sandro Alex, ex-secretário de Infraestrutura do Paraná, como o nome escolhido pelo governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD) para a sua sucessão — um movimento que alterou o xadrez nos bastidores da Assembleia Legislativa (Alep) e que agora passa pelo teste definitivo de fidelidade da base governista.
O panorama dos arranjos partidários e o humor dos parlamentares foram analisados pelo deputado estadual Evandro Araújo (PSD) em entrevista ao jornalista Ronaldo Nezo no podcast Ponto a Ponto, do jornal Maringá Post. Na avaliação do parlamentar, o processo de escolha do Executivo estadual exigiu absorver o impacto de um nome que, inicialmente, não estava entre os mais cotados.
Da surpresa à acomodação de interesses
A indicação de Sandro Alex quebrou a expectativa de alas da bancada governista que apostavam em candidaturas tidas como mais competitivas nas pesquisas iniciais, como a do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, ou a do deputado Alexandre Curi. Evandro Araújo não omitiu que o movimento inicial provocou estranhamento e demandou articulação para evitar defecções na base aliada.
“O nome do Sandro Alex não estava aparecendo tanto nesse conjunto. Acho que a maior surpresa foi essa”, pontuou Araújo, ao contextualizar as reações nos corredores da Alep. Segundo ele, o período subsequente ao anúncio serviu para que os deputados do PSD entrassem em uma fase de “acomodar o sentimento” e alinhar os discursos regionais.
Para o deputado, o principal ativo que o partido tenta consolidar junto ao eleitorado neste segundo semestre é a avaliação positiva da gestão de Ratinho Júnior, ancorada fortemente no volume de obras públicas. “A marca do governo é a infraestrutura. O Sandro estava à frente desse trabalho na Secretaria. Esse é um ativo no discurso que vai ter peso para o eleitor”, argumentou.
O fator Moro e o posicionamento de Greca
O avanço do calendário eleitoral também joga luz sobre as candidaturas que orbitam fora do núcleo central do Palácio Iguaçu. Araújo apontou que o tempo de exposição e o recall de imagem do senador Sérgio Moro (União Brasil) como pré-candidato ao governo garantiram a ele uma largada vantajosa nas pesquisas de intenção de voto, capitalizando o voto antipetista e o desgaste natural de partidos tradicionais.
Paralelamente, a manutenção da postura de Rafael Greca, que segue se movimentando no tabuleiro sem abrir mão da cabeça de chapa, mantém o ambiente político sob pressão. O deputado sinalizou que a possibilidade de composições, incluindo indicações para a vaga de vice, continua sendo o ponto de maior fricção nas costuras de bastidores.
Coerência na base e independência de voto
Questionado sobre sua própria postura dentro do PSD — partido no qual mantém a filiação e o apoio à reeleição, mas com registros históricos de votos contrários a projetos de interesse do Executivo —, Araújo defendeu que a fidelidade partidária não pode se sobrepor à viabilidade das propostas.
Para o parlamentar, que busca o quarto mandato na Alep, o papel do legislador é aperfeiçoar os textos enviados pelo governo, citando como exemplo sua atuação crítica frente aos pedágios e concessões. “Eu estou em um partido de aliança e já tive que discordar de projetos importantes correndo o risco de sofrer reveses. Entender que um olhar mais profundo e cuidadoso pode melhorar os projetos é o que dá sustentabilidade ao mandato”, concluiu.
Serviço
A entrevista analítica completa com o deputado estadual Evandro Araújo está disponível no canal do Maringá Post no YouTube, com produção audiovisual do VMark Estúdio e condução do jornalista Ronaldo Nezo.


















