O que Espanha e Argentina ensinam ao futebol brasileiro

Do topo da pirâmide à decepcionante derrota nas oitavas de final, fato que há 36 anos os brasileiros não assistiam
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*Paulo Vergueiro – Especial para o Maringá Post

Ambas seleções têm traçado uma trajetória, nessa Copa do Mundo, que podem servir de orientação para uma confederação nacional (CBF), completamente perdida, para jogadores sem identidade e uma torcida sem orgulho (no presente).

Os resultados de campo do chamado jogo jogado, não é a causa dessa lição, mas a consequência direta de decisões corretas, seguras e por vezes dura. Mas com foco no resultado futuro, ambas conseguem colher o que plantaram.

A Estratégia

A Espanha e muito mais a Argentina, como primeiro passo para se reposicionarem no cenário internacional, optaram por não abrir mão do estilo de jogo e o modo de competir, que caracterizam cada nação.

Primeiro passo: técnico e comissão técnica oriunda do próprio país. Questão de identificação com o estilo de jogo, com a torcida e, naturalmente, com a cultura e estilo de cada uma das seleções em questão.

AÇÕES COM RESULTADOS

Convocações de jogadores, para disputar a Copa do Mundo, que provaram nos testes realizados antes da competição e durante alguns torneios antes, comprometimento com o resultado, suor e determinação até o fim do jogo, além é claro de provarem com atitudes e não meras entrevistas, orgulho de vestir a camisa da seleção pátria.

Ao contrário do Brasil, que literalmente se internacionalizou, mudando inclusive o padrão de jogo, deixando de lado a irreverência do jogador brasileiro nato, para tentar, sem sucesso, reproduzir modelo europeu. Frio, sem combate, assistindo o adversário jogar e entendendo que é “assim mesmo”. O jogo, se perde e se ganha, às vezes, empata. Com frieza incrível, sem competitividade, sem garra e sem identificação com a camisa e torcida.

O QUE ACONTECE AGORA?

Ao contrário desta inércia absurda do futebol brasileiro, nos dias de hoje, Espanha e Argentina se entregam até o último segundo do jogo. Vestem a camisa, como se fossem em busca da sobrevida, como se fosse uma guerra. Mas sem perder o foco, a determinação tática, mesclando equilíbrio emocional com garra.

É possível admitir que, enquanto a CBF, não priorizar a seleção e conviver privilegiando negócios do futebol, dar espaço ao extracampo, visando somente o lucro financeiro, o torcedor vai amargar a dor da vaidade futebolística assistindo ao sucesso da Argentina, Espanha, Inglaterra, Marrocos, Cabo Verde, Senegal, todas as seleções entre outras que participaram desta Copa do Mundo, que demonstraram garra e vontade de vencer.