O início de uma nova gestão municipal é frequentemente marcado pelo confronto entre as metas planejadas e a realidade fiscal e operacional dos ativos públicos. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, o secretário de Infraestrutura, Limpeza Urbana e Defesa Civil de Maringá, Vagner Mussio, relembrou o diagnóstico que encontrou ao assumir a pasta, em janeiro de 2025, descrevendo um cenário de déficit de pessoal, equipamentos paralisados e falta de controle técnico em obras viárias.
Mussio, que já havia chefiado a mesma secretaria em anos anteriores, apontou que a redução do quadro de servidores públicos operacionais foi o primeiro impacto na rotina de zeladoria da cidade.
“Quando eu saí de lá em 2014, eu tinha em torno de 1.100 homens. Eu voltei lá [em janeiro de 2025] e descobri que eu tinha 900. Então você vai com o pensamento ‘vamos fazer’, e descobre que a usina não funciona, que a pedreira está desativada, que a fábrica de tubos não está funcionando. Começa a te frustrar”, relatou o secretário.
Diagnóstico do pátio de máquinas e insumos
Além do déficit de aproximadamente 200 trabalhadores nas frentes de campo e numa cidade com demandas muito maiores, a atual administração identificou o sucateamento da frota de veículos pesados utilizados na coleta de galhos e manutenção de canteiros.
Segundo Mussio, equipamentos essenciais para a autonomia do município estavam paralisados por falta de manutenção estrutural ou por inadequação às normas ambientais vigentes.
O reflexo do abandono do maquinário, de acordo com a pasta, era visível na qualidade dos serviços básicos. “O pátio de máquinas da prefeitura precisava ser refeito, ele sumiu. Quem anda pela rua e vê um caminhão nosso coletando galho em um canteiro, é vergonhoso. É um caminhão que deve ter seus 20 anos de idade e todo horrível”, afirmou o secretário, ressaltando que antigas varredeiras mecânicas rebocáveis haviam desaparecido da rotina dos bairros.
A paralisia de ativos como a Pedreira Municipal e a Fábrica de Artefatos de Cimento também impactava os custos do município, que se viu obrigado a recorrer ao mercado privado para a compra de tubulações de drenagem pelo dobro do preço de fabricação interna.
Fiscalização e pavimentação asfáltica
O secretário também fez duras críticas à durabilidade de obras entregues em períodos anteriores. Mesmo após o município contrair financiamentos expressivos de até 200 milhões de reais para o setor, vias periféricas e grandes artérias centrais apresentavam desgaste precoce e esfarelamento da massa asfáltica.
Mussio citou os casos crônicos das avenidas Tiradentes, João Pereira e Doutor Alexandre Rasgulaeff como exemplos de intervenções que falharam por ausência de rigor técnico na fiscalização do material recebido das empreiteiras.
“Eu não estou sugerindo, estou afirmando com certeza absoluta que houve uma falta de controle. Tendo um laboratório [na prefeitura], houve uma falta de controle. O asfalto começou a se decompor”, declarou.
O secretário explicou que a atual gestão reestruturou o laboratório técnico do município para exigir testes de teor de betume e granulometria de pedras, notificando as empresas contratadas para refazer trechos em desacordo com o edital sem custos para o erário.
Assista ao episódio completo do podcast Ponto a Ponto no canal do Maringá Post.























