Prefeitura de Maringá detalha custos e critérios de nova licitação para arborização urbana

Secretário Vagner Mussio justifica montante superior a R$ 80 milhões, explica complexidade operacional na remoção de espécies de grande porte e defende prioridade para podas.
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A Prefeitura de Maringá publicou o edital para a contratação de serviços de manejo da arborização urbana, com orçamento previsto em mais de 80 milhões de reais. O valor, que gerou debates na cidade devido à sua magnitude, foi defendido pela Secretaria de Infraestrutura como uma medida necessária para enfrentar passivos acumulados e garantir a segurança viária diante de eventos climáticos extremos.

Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, do jornal Maringá Post, o secretário de Infraestrutura, Vagner Mussio, detalhou a engenharia financeira e operacional que baseou o cálculo do edital. Segundo o titular da pasta, o município possui atualmente um volume expressivo de laudos autorizados para intervenções que não encontram vazão na estrutura pública atual.

“Eu tenho já com parecer para remoção de 5.600, 6.000 árvores. Tenho na fila de espera mais milhares. Qual foi a ideia? Então, nós vamos fazer uma licitação para remoção de 12 mil árvores”, afirmou Mussio, acrescentando que os pedidos acumulados na prefeitura remontam, em alguns casos, a demandas históricas da população.

Complexidade técnica e custos operacionais

O secretário utilizou um episódio recente na Zona 7 para ilustrar o custo real e o tempo despendido pelas equipes em campo. A remoção de um ipê de grande porte que atingiu uma residência demandou nove horas de trabalho contínuo, mobilizando 20 homens, um guincho e dois cestos aéreos.

“Quando você abre essas licitações de qualquer jeito, o que o cara faz para participar? O cara nem conhece as árvores de Maringá. Aí ele ganha a licitação para remover duas mil árvores a 1.200 reais por unidade. Mas uma movimentação como a que fizemos na Zona 7 não custa menos de 15 mil reais”, explicou Mussio.

Diante disso, o novo edital exige que as empresas concorrentes comprovem capacidade técnica rigorosa, o que inclui engenheiros próprios, seguros específicos e maquinário robusto, como caminhões com cestos aéreos capazes de atingir até 30 metros de altura para atuar de forma segura próximo a redes de alta tensão.

Poda como estratégia de prevenção

O planejamento da secretaria prevê a atuação de pelo menos dez equipes simultâneas na cidade. A meta principal do contrato, contudo, não é a erradicação, mas a manutenção preventiva por meio de 40 mil podas anuais, um serviço considerado deficitário nas últimas gestões.

“Onde você passa, a árvore está pegando na fachada, está em cima da casa, está obstruindo a rua. E você não tem quantidade de gente para fazer. Quando você faz a poda, você diminui drasticamente a queda de árvores, porque você equilibra ela, você acaba tirando o peso dela. Então, ele é um trabalho que é necessário, ele é até mais necessário do que a remoção”, defendeu o secretário.

A modelagem do certame foi alterada de registro de preço para contrato firme, atendendo a recomendações do Observatório Social e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR). A abertura das propostas das empresas interessadas está agendada para o dia 18 do próximo mês.

Assista ao episódio completo do podcast Ponto a Ponto no canal do Maringá Post.