Bastidores do teatro e da música: por que a arte na escola desenvolve competências profissionais?

Investimento em projetos extracurriculares não foca na formação de atores ou músicos, mas na maturação humana, gestão de conflitos e autonomia financeira dos alunos.
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Maringá — O investimento de tempo e recursos em projetos artísticos dentro das instituições de ensino frequentemente divide opiniões. Sob a ótica de uma preparação pragmática voltada ao vestibular, há quem enxergue ensaios de teatro e festivais de música como distração ou perda de tempo de sala de aula. Contudo, a experiência prática indica o oposto: a arte atua como um laboratório para o desenvolvimento de competências humanas e profissionais.

 

A análise é do professor Antonio Leonel, o Toninho, diretor-geral do Colégio Platão de Maringá. De acordo com o educador, os projetos extracurriculares promovidos pela escola — como o festival de música bilíngue e o projeto de teatro que integra alunos desde os primeiros anos até o Ensino Médio — cumprem um papel pedagógico essencial na formação básica que o ensino tradicional expositivo não consegue alcançar sozinho.

 

O valor formativo está nos bastidores

O diretor esclarece que a meta dessas iniciativas nunca foi a formação técnica de atores ou músicos profissionais. Para ele, o verdadeiro valor didático não reside na plasticidade do resultado final apresentado no palco, mas no processo de organização que ocorre longe dos olhos do público.

 

Nos bastidores desses projetos, os estudantes assumem responsabilidades que simulam as exigências de um ambiente corporativo ou universitário. Eles precisam exercer funções de liderança, coordenar equipes de cenografia, gerenciar figurinos, cumprir horários e, principalmente, resolver conflitos de forma madura.

 

 

“O que me interessa é o bastidor. Quem vai ser o contrarregra, quem vai ser o figurinista, quem vai ser o coordenador que vai controlar os horários de entrada e saída das reuniões. Tudo isso está em um cenário que vai acrescentar muito do ponto de vista humano e vai gerar maturação, além de questionamentos de identidade”, explica Leonel.

 

Fim do “paitrocínio” e o choque de realidade

Um dos principais exercícios de autonomia promovidos por essas dinâmicas envolve a gestão financeira. Para tirar as produções do papel, os adolescentes são estimulados a romper o isolamento da bolha familiar e escolar e ir a campo em busca de patrocinadores reais no mercado e no comércio local de Maringá.

 

A necessidade de negociar o próprio projeto e gerenciar recursos financeiros reais força o jovem a desenvolver habilidades de oratória, persuasão e proatividade.

 

“O dinheiro não é mais o ‘paitrocínio’, ele precisa buscar patrocinadores no mercado. Ele precisa aprender a lidar com o meio e estourar a bolha, entender o mundo como ele funciona. Esse aluno aprende também que pontualidade não é uma fantasia; se o evento começa às 20 horas, precisa começar pontualmente, porque funciona assim no trabalho, em uma empresa e na vida prática”, ressalta o diretor.

 

O educador conclui que a arte atua como uma ferramenta de humanização e ampliação de horizontes, capacitando os estudantes a ingressarem no ensino superior e no mercado com maior independência e maturidade comportamental. “A escola valoriza a academia, mas utiliza a arte como ferramenta para desenvolver o ser. Quando o ser humano amplia a sua visão de mundo, tudo o que há nele melhora.”

 

A discussão aprofundada sobre o papel da arte na formação humana, o desenvolvimento de competências nos bastidores escolares e os desafios da juventude está disponível no Youtube. Assista ao episódio completo do podcast Ponto a Ponto no canal do Maringá Post.