*Por Pedro Dall’Agnol
Depois da classificação heróica contra o Japão, na segunda-feira (29), o técnico Carlo Ancelotti começou a planejar a equipe para o jogo contra a Noruega. Porém o Brasil tem um grave problema no meio-campo, Lucas Paquetá foi substituído após sentir dores musculares, teve lesão confirmada pela CBF e está fora das oitavas de final.
Na partida contra o Japão, o garoto Endrick foi o escolhido para entrar no lugar do meia do Flamengo. Ancelotti fez a alteração justamente para aumentar o poderio ofensivo e preencher a área japonesa. Dessa forma, o Brasil obrigou o Japão a baixar suas linhas de marcação, a estratégia possibilitou a virada brasileira e mudou o panorama da partida no segundo tempo.
Com isso, vamos dissertar nesta edição do Tiki-Taka, quem deve ser o substituto de Lucas Paquetá na armação do Brasil?

Pedro: Com Endrick e Matheus Cunha, apesar das características de armação do camisa 9, o Brasil dificilmente fugiria do esquema de 4-2-4. A melhor seleção que vimos atuar nesta Copa, no entanto, tinha uma formação mais conservadora, um 4-4-2, com uma espécie de losango no meio campo, formado por Casemiro e Paquetá, na esquerda; e Bruno Guimarães, na direita; e Cunha.
Optando por uma mudança com Endrick, na referência, e Vinicius aberto pela esquerda, o Brasil ainda “sacrificaria” um Bruno Guimarães que faz uma Copa brilhante.
Emulando a função de Paquetá, no terço final do jogo, o Brasil teve o autor do gol decisivo, Gabriel Martinelli, como carta da manga de Carlo Ancelotti. O ponta esquerda do Arsenal parece ter encontrado uma nova posição na equipe do italiano.
Na minha opinião é uma alternativa interessante, já que apesar de ser um atacante de origem, parece fazer muito mais a função de um camisa 8 no time de Ancelotti. Martinelli atua dessa maneira desde o jogo contra o Haiti, substituindo Paquetá nesta ocasião, e contra a Escócia.
No Arsenal, Martinelli já surpreende pela sua combatividade, a única dúvida é se ele conseguirá mantê-la contra o meio campo norueguês durante os 90 minutos. Além disso, apesar de conseguir fazer boas combinações com Vini pelo lado esquerdo, acho que o Brasil perde o poder de lançamento em velocidade, característica forte de Paquetá, que Martinelli não mostrou muito.

Mateus: Acredito que não temos alguém como Lucas Paquetá dentro do elenco do Brasil, principalmente por conta do poder de construção e armação da equipe. Além do suporte pelo lado esquerdo do ataque junto com Vinícius Jr, dupla que se conhece desde as categorias de base do Flamengo.
E sem Paquetá abre margem para o Ancelotti pensar em diversas possibilidades dentro do meio-campo brasileiro. Seria o caso de colocar Danilo Santos para compactar o setor de criação ou novamente entrar com Endrick no ataque e baixar o Matheus Cunha como um meia-atacante para a aproveitar a fragilidade defensiva da Noruega. Como você pensa, Pedro?

Pedro: O Danilo é outra alternativa interessante. Vinha pedindo passagem durante os amistosos pré-copa, mas freou o ímpeto depois que a competição começou, entrando somente no fim das partidas, por escolha do Ancelotti.
É um jogadoraço, dá fôlego para o meio campo, pisa muito na área, além de ser uma opção natural, por ser meio campista de origem.
Ancelotti é um treinador muito difícil de prever, que se adapta muito bem aos adversários. Não acho que fuja de Danilo ou Gabriel Martinelli, mas ainda tem como opção Ederson, Endrick ou até o Igor Thiago.
Meu palpite é o Martinelli, tá com moral e tem entrado justamente nesta vaga.
Mateus: Também vejo o Danilo como uma opção provável no meio-campo brasileiro, justamente por ser um jogador de chegada ao ataque, conseguindo ser constante em todas as faixas do campo.
Por isso, analiso que o Danilo seria a melhor escolha justamente por ser um jogador da posição e que consegue percorrer todas as faixas de campo. Ainda que Martinelli tenha ido bem no último jogo, é um jogador fora de posição.
Justamente por isso prefero ser mais conservador ao escolher o Danilo Santos no lugar de Paquetá.






