Os vereadores de Maringá ‘pisaram no freio’ no que diz respeito a apresentação e aprovação de projetos em 2026, ao menos é o que mostram os números oficiais. Um levantamento feito pelo Maringá Post, com dados extraídos do Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL) mostra uma queda de quase 70% na aprovação de projetos de lei no primeiro semestre deste ano, em comparação com os primeiros seis meses de 2025.
De janeiro a junho deste ano, os parlamentares maringaenses 291 projetos de lei, sendo 244 ordinários (novas leis) e 47 complementares (atualizações de leis já existentes). No mesmo período do ano passado, foram 397 projetos protocolados, sendo 361 ordinários e 36 complementares.
Em 2025, primeiro ano da atual legislatura, a Câmara de Maringá teve a maior quantidade de proposições em toda a sua história, com mais de 6 mil proposições entre projetos, requerimentos e indicações.
O ritmo de aprovações também caiu. Se em 2025 os vereadores aprovaram 154 leis no primeiro semestre, neste ano foram 49 aprovações. Na média, foi como se neste ano a Câmara aprovasse uma lei a cada cinco dias, enquanto que nos primeiros seis meses do ano passado a média era de 1 aprovação ao dia.
Os requerimentos com pedidos de informações, igualmente, tiveram uma queda drástica, de 1.216 no primeiro semestre de 2025 para 283 de janeiro a junho de 2026.
Na avaliação do sociólogo e analista político Joel Cavalcante, alguns fatores ajudam a explicar a queda de produção formal. O alinhamento com o poder Executivo e a queda da ‘empolgação’ pelo primeiro ano de mandato da maioria dos parlamentares estão entre as razões principais.
“Nós temos uma Câmara que tem a fama de ser subserviente ao poder Executivo, uma subserviência total e que fiscaliza pouco. Isso pode ser traduzido nestes números. É uma Câmara que se pauta muito pelo Executivo”, avalia.
“Outro fator que explica muito é que, no ano passado, foi o primeiro ano de muitos dos vereadores, muita gente nova, vereadores querendo mostrar serviço e, no segundo ano, esse ritmo vai diminuindo. Um terceiro cenário, mais indireto, é o fato de ser um ano eleitoral. Muitos vereadores querem sair para outros cargos eletivos e têm seus interesses, com o debate indo para outras pautas do cenário nacional”, finaliza.


















