Thiago Borges (Podemos) foi alvo de uma sindicância da Prefeitura de Paiçandu que resultou na exoneração dele do cargo de professor de Educação Física na rede municipal, função que ocupava desde 2023. Investigação interna concluiu que vereador faltou indevidamente ao serviço para cumprir agenda política, versão que é rebatida pelo parlamentar.
O vereador de Paiçandu, Thiago Borges (Podemos), afirma ser vítima de ‘perseguição política’ por parte da Prefeitura após ter sido exonerado de um cargo que ocupada dentro da rede municipal de ensino daquela cidade. A portaria confirmando a exoneração foi publicada em Diário Oficial nesta semana.
Thiago, que além de vereador é profissional de Educação Física, era professor da disciplina na rede municipal desde 2023, com ingresso por meio de Processo Seletivo Simplificado (PSS). Ele foi alvo de uma sindicância interna aberta no mês de maio, no qual o servidor foi investigado por uma suposta falta indevida ao trabalho para cumprir uma agenda política em Curitiba. A viagem em questão ocorreu no dia 13 de abril.
A investigação interna do poder público concluiu que a falta foi irregular e sem justificativa, culminando na exoneração do cargo. O parlamentar, por sua vez, contesta a decisão e afirma que a visita a capital ocorreu em um dia de folga da função de professor, na qual teria sido comunicada previamente.
“Aqui na cidade, todos os professores, quando eles participam da reunião de pais no período noturno, depois isso consequentemente dá direito a horas para eles folgarem, é um dia que é planejamento escolar, o professor não entra em sala de aula no dia da hora-atividade. Isso é um procedimento padrão com todos os professores. Eu tinha direito a essa folga, solicitei a folga para a equipe da escola e a equipe me concedeu. Na minha folga, eu acho que a gente faz o que quiser, certo? Eu sou vereador, tinha agenda parlamentar em Curitiba, então solicitei as diárias, tudo dentro da lei, fui para essa agenda e, quando retornei, a sindicância foi aberta”, relatou, em entrevista ao Maringá Post.
O parlamentar afirma não ter tido direito a defesa durante a sindicância, uma vez que não teria sido questionado sobre elementos que constaram no parecer final.
“Colocaram que eu apenas avisei verbalmente, só que eu tinha as mensagens no WhatsApp, eu tinha todas as provas, eu fiz a minha defesa, só que eles não me deram o direito ao contraditório, até porque colocaram cruzaram o horário que a diária tinha caído na minha conta, só que em um momento algum eles me questionaram disso na minha oitiva, então eu não tive nem a chance de me defender, e isso foi o critério principal que eles usaram para me exonerar”, disse.
Segundo o vereador, ele acredita que a exoneração tenha tido finalidades políticas pelo fato de se colocar como um parlamentar crítico da administração municipal na Câmara. “Eu sou vereador no meu primeiro mandato e eu tô exercendo o papel de vereador, que é fiscalizar, cobrar, mostrar as irregularidades, porque é isso que a população espera e sempre esperou de mim. É perseguição política. Eles me colocam como oposição, eu não sou oposição, eu sou vereador independente, meu lado é o povo e isso acaba gerando conflitos”, finalizou.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Paiçandu informou que a sindicância de exoneração “apurou fatos relacionados ao exercício de suas funções como servidor contratado por Processo Seletivo Simplificado (PSS), tendo sido observados todos os ritos legais, com garantia do contraditório e da ampla defesa”. Conforme o município, “com base nas conclusões da comissão de sindicância e no parecer jurídico emitido pela Procuradoria-Geral do Município, foi aplicada a penalidade de rescisão unilateral do contrato por justa causa”.
No mesmo comunicado, a Prefeitura de Paiçandu afirma que “a decisão possui caráter exclusivamente administrativo e técnico, fundamentada nas conclusões do processo apuratório e na legislação vigente, não guardando relação com a atividade política exercida pelo servidor”.


























