A busca por qualidade de vida está mudando a forma como os brasileiros escolhem onde morar

Empreendimentos com áreas voltadas ao bem-estar, mobilidade urbana facilitada e proximidade de serviços ganham espaço nas preferências dos compradores. Especialistas da Morialle Imóveis analisam como a qualidade de vida passou a influenciar o mercado imobiliário em Maringá
Foto: Morialle
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Durante décadas, fatores como localização, metragem e valor do imóvel estiveram entre os principais critérios do brasileiro para escolher onde morar. Hoje, embora continuem relevantes, consumidores passaram a considerar aspectos ligados à rotina, ao bem-estar, à praticidade e ao tempo disponível para a família

 

A mudança de comportamento tem influenciado o desenvolvimento de novos empreendimentos e alterado a forma como o mercado imobiliário se relaciona com seus clientes.

 

Para compreender como essa transformação tem impactado o setor, o Maringá Post ouviu os especialistas da Morialle Imóveis, imobiliária maringaense especializada em consultoria, análise de mercado e orientação estratégica para compradores e investidores.

 

 

“A qualidade de vida deixou de ser um detalhe e passou a ser protagonista nas conversas com os clientes. Há alguns anos, a pergunta era: ‘Quantos metros quadrados tem?’. Hoje, muitas vezes ela vem acompanhada de: ‘Quanto tempo vou ganhar para ficar com a minha família?’, ‘Meus filhos terão onde brincar?’ e ‘Vou conseguir viver com mais tranquilidade?’”, afirma Suelen Champion, sócia da Morialle Imóveis.

 

Segundo ela, o mercado imobiliário passou a refletir uma mudança mais profunda nas prioridades das pessoas.

 

“O mercado mudou porque as prioridades mudaram. Hoje, vender um imóvel é, muitas vezes, ajudar alguém a encontrar uma rotina mais leve, mais segura e mais alinhada com o que realmente importa para ela. Quando entendemos isso, deixamos de apresentar apenas paredes e metragens e passamos a apresentar possibilidades de vida”, completa.

 

Morar bem deixou de ser sobre ter mais

Para os especialistas, uma das mudanças mais significativas dos últimos anos está na própria definição do que significa morar bem.

 

“O conceito de ‘morar bem’ passou por uma verdadeira revolução silenciosa nos últimos anos. Se antes essa expressão era sinônimo de status, ostentação e excesso de espaço, hoje ela está intimamente ligada a tempo, saúde e eficiência”, explica Diego Natal, sócio da Morialle Imóveis.

 

Na avaliação dele, o maior luxo deixou de ser a metragem e passou a ser a capacidade de viver melhor.

 

“O maior luxo é o tempo. O novo comprador percebeu que uma metragem excessiva muitas vezes se traduz em mais trabalho, custo de manutenção e isolamento. Morar bem passou a ser sinônimo de arquitetura inteligente e plantas otimizadas, onde cada canto tem uma função real”, afirma.

 

 

Essa percepção também se reflete nos critérios considerados durante a busca por um imóvel. Além da localização e da metragem, fatores como mobilidade, segurança, áreas de convivência, infraestrutura do entorno e contato com a natureza passaram a ganhar relevância.

 

“O comprador atual entende que um imóvel não é apenas um patrimônio financeiro. É um patrimônio emocional. É o lugar onde serão construídas memórias, criados filhos, celebradas conquistas e vividos momentos importantes”, destaca Suelen.

 

Mercado responde com empreendimentos voltados ao bem-estar

Em vez de focar exclusivamente em áreas comuns tradicionais, muitos empreendimentos passaram a investir em estruturas que buscam facilitar a rotina dos moradores e proporcionar mais conforto no dia a dia.

 

“O mercado entendeu uma coisa muito importante: ninguém sonha com um apartamento. As pessoas sonham com a vida que terão dentro dele”, resume Suelen.

 

Segundo ela, os projetos que melhor compreenderam essa mudança deixaram de vender apenas estrutura física.

 

“Os empreendimentos mais bem-sucedidos não vendem apenas estrutura, vendem conveniência, segurança, conexão e qualidade de vida. Os projetos que compreenderam essa mudança deixaram de construir metros quadrados e passaram a construir experiências”, afirma.

 

 

Diego observa que os lançamentos mais recentes em Maringá demonstram claramente essa evolução.

 

“Não se trata mais de entregar apenas um salão de festas e uma piscina. Hoje, os prédios trazem áreas comuns que são extensões reais da casa: espaços de coworking profissionais, mercados autônomos internos, complexos de saúde com academias de ponta, áreas de descompressão verdes e espaços pet estruturados. O bem-estar foi integrado à arquitetura”, explica.

 

Para Suelen, a sofisticação também passou a ser percebida de uma forma diferente.

 

“O mais interessante é que a sofisticação deixou de estar apenas nos acabamentos. Ela está na inteligência do projeto. Um empreendimento é sofisticado quando faz a vida funcionar melhor.”

 

Mais do que imóveis, escolhas de vida

Para a Morialle Imóveis, a transformação observada no mercado exige uma abordagem mais consultiva e menos focada apenas nas características técnicas dos empreendimentos.

 

A empresa defende que compreender a rotina, os hábitos e os objetivos de cada cliente é essencial para identificar o imóvel mais adequado.

 

“Nosso papel é traduzir necessidades que nem sempre são ditas de forma explícita. Quando um cliente fala que quer mais segurança, mais tempo com os filhos ou mais praticidade, ele está falando sobre qualidade de vida. E é essa conexão que buscamos construir”, afirma Suelen.

 

Segundo Diego, o processo começa muito antes da apresentação de imóveis.

 

 

“Na Morialle, nós partimos do princípio de que um imóvel nunca é apenas um endereço ou uma soma de metros quadrados. Ele é o cenário onde a vida de uma pessoa ou de uma família vai acontecer nos próximos 5, 10 ou 15 anos. Por isso, o nosso trabalho não começa olhando para o estoque de apartamentos, mas sim olhando para o cliente.”

 

Para os sócios, essa mudança ajuda a explicar por que o mercado imobiliário tem deixado de atender apenas necessidades habitacionais para atender projetos de vida.

 

“Hoje, morar bem não é sobre ter mais. É sobre viver melhor”, conclui Suelen.