Tecnologia preditiva vs. cuidado humano: Os limites da Inteligência Artificial nos novos modelos de saúde

O uso de algoritmos avançados, o monitoramento remoto e o cruzamento em tempo real de exames laboratoriais permitem que os sistemas de saúde antecipem riscos e evitem crises graves antes mesmo que os primeiros sintomas apareçam.
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A transformação digital está redefinindo a velocidade e a precisão da medicina moderna. O uso de algoritmos avançados, o monitoramento remoto e o cruzamento em tempo real de exames laboratoriais permitem que os sistemas de saúde antecipem riscos e evitem crises graves antes mesmo que os primeiros sintomas apareçam. No entanto, o avanço tecnológico na saúde suplementar traz consigo um debate ético e operacional: até que ponto as telas e os dados conseguem responder às necessidades complexas do paciente idoso sem desumanizar o atendimento?

Para debater o impacto da tecnologia e os limites da automação na assistência médica, o podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, recebeu o diretor comercial e de marketing do Grupo Athena Saúde, Rodrigo Góes. Em conversa com o jornalista Ronaldo Nezo, o executivo detalhou como o grupo utiliza a inteligência artificial para otimizar os tratamentos preventivos do Humana Sênior, mas defendeu com firmeza que a tecnologia deve servir de apoio, e nunca de substituta para o calor do contato humano.

Inteligência de dados na prevenção ativa

Durante a entrevista, Góes explicou que o Grupo Athena possui uma estrutura vertical de inovação focada em transformar o grande volume de informações gerado pelo setor em ferramentas de proteção ao beneficiário. O sistema atua de forma preditiva, disparando alertas automáticos para as equipes clínicas caso o histórico do usuário apresente alguma anomalia.

“O avanço tecnológico focado na inteligência de dados — o que engloba a inteligência artificial aplicada à saúde — vem sendo tratado como um ponto altamente estratégico por nós. O nosso grande objetivo é trabalhar com essas informações de forma ativa, utilizando indicadores preditivos que realmente ajudem no dia a dia. Se um beneficiário realiza um exame e o resultado apresenta qualquer indicador fora da curva, o sistema dispara um alarme automático para a nossa equipe médica. Essa leitura dinâmica de dados está mudando completamente a realidade da medicina preventiva”, apontou o diretor.

O valor insubstituível do acolhimento

Apesar de destacar a eficiência da telemedicina 24 horas e da integração digitalizada dos prontuários, o executivo foi categórico ao afirmar que o sucesso do tratamento, especialmente na terceira idade, depende da empatia e do olhar atento do profissional. Para ele, o diferencial na gestão de saúde de longo prazo reside na capacidade de ouvir e acolher o paciente.

“Nós debatemos exaustivamente esse cenário internamente. Estamos sempre atentos aos avanços e trazendo investimentos contínuos para a tecnologia dentro da nossa organização, com uma estrutura vertical dedicada exclusivamente a isso. No entanto, na área da saúde, nada substitui o cuidado humano. Devemos usar todas as ferramentas digitais a nosso favor, mas, no nosso setor, a atenção, o afeto e o olho no olho permanecem insubstituíveis. A tecnologia é excelente e nos dá um suporte fundamental, mas o cuidado de pessoa para pessoa não pode ser automatizado”, finalizou Góes.

Essa visão equilibrada consolida a tecnologia como um meio indispensável para dar eficiência operacional e segurança clínica aos processos. No entanto, o desfecho da discussão reforça que o verdadeiro pilar da longevidade ativa e do bem-estar na saúde suplementar continua sendo a relação de confiança e o afeto entre as pessoas.

Serviço

O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com o diretor Rodrigo Góes está disponível no canal do Maringá Post no YouTube e nas plataformas de áudio.

Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio