O desejo de estudar acompanhou Marina Figueiredo durante grande parte da vida. Aos 78 anos, a moradora do Condomínio do Idoso, em Maringá, finalmente está realizando esse sonho. Sem ter tido acesso à educação formal durante a infância, ela agora faz parte da turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA) criada dentro do residencial e celebra cada nova conquista na sala de aula.
Natural do interior de Pernambuco, Marina cresceu em uma realidade em que frequentar a escola não era uma possibilidade. Casada ainda jovem, dedicou a vida à criação dos oito filhos e deixou os estudos em segundo plano. Décadas depois, encontrou a oportunidade de aprender a ler e escrever.
“Eu só sabia fazer o meu nome. Conhecia os números, mas não sabia juntar as palavras. Agora já leio bastante coisa e faço minhas tarefas da escola. Estou muito feliz”, relata.
A história de Marina representa a realidade de muitos idosos que não tiveram acesso à educação na infância e agora encontram uma nova oportunidade por meio da EJA. Nesta quinta-feira (11), a Prefeitura de Maringá inaugurou oficialmente um espaço da modalidade dentro do Condomínio do Idoso, aproximando o ensino dos moradores.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre as secretarias municipais de Educação (Seduc) e de Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa (SAS). O projeto surgiu após moradores manifestarem interesse em retornar aos estudos, mas relatarem dificuldades para frequentar aulas em outras unidades da cidade.
Segundo a secretária de Educação, Adriana Palmieri, a proposta busca garantir que o aprendizado esteja acessível a todas as fases da vida.
“Não existe idade para aprender. O conhecimento amplia horizontes e cria novas oportunidades. Levar a educação até essas pessoas significa incentivar autonomia, autoestima e qualidade de vida”, afirma.
Atualmente, o Condomínio do Idoso abriga 87 moradores. Destes, 22 já estão matriculados na Educação de Jovens e Adultos. As aulas são coordenadas pela Escola Municipal José Aniceto e acontecem no próprio residencial.
Para o secretário de Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa, Leandro Bravin, a iniciativa reforça a importância de aproximar os serviços públicos da população.
“Quando levamos os atendimentos para perto das pessoas, facilitamos o acesso e garantimos mais conforto para quem deseja participar. É uma ação que promove inclusão e cidadania”, destaca.
Além das aulas, os estudantes recebem gratuitamente uniforme completo e kit escolar fornecidos pelo município, com mochila, cadernos, materiais pedagógicos, roupas e itens de apoio às atividades.
O novo espaço também conta com uma biblioteca para incentivar a leitura e complementar o processo de aprendizagem. A vice-prefeita Sandra Jacovós ressalta que a educação passa a integrar a rede de serviços oferecidos aos moradores do residencial.
“O Condomínio do Idoso foi pensado para promover qualidade de vida e bem-estar. Agora, também passa a ser um espaço de aprendizagem e realização de sonhos”, afirma.
A professora e coordenadora do projeto, Gláucia Rufato, destaca que a evolução dos alunos é visível já nos primeiros meses de aula.
“Ver uma pessoa que chegou sem conseguir escrever passar a assinar o próprio nome e ganhar confiança é algo emocionante. São conquistas que mostram o poder transformador da educação”, diz.
A iniciativa ocorre em um momento em que o Congresso Nacional discute a ampliação do reconhecimento da educação voltada à terceira idade. O Projeto de Lei nº 2.679/2024 propõe alterar a nomenclatura da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI), além de prever metodologias e materiais adequados às necessidades desse público.
Enquanto a proposta segue em tramitação, histórias como a de Marina demonstram que o aprendizado não tem idade para começar — nem para transformar vidas.


















