O debate sobre as diretrizes operacionais das forças de segurança frequentemente esbarra em questionamentos políticos e ideológicos. Em Maringá, a adoção de um policiamento mais ostensivo nas vias públicas tem sido alvo de contrapontos por parte de alas partidárias e órgãos fiscalizadores, que questionam os limites das vistorias e o uso de equipamentos de dispersão.
Para abordar essas pressões, o podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, recebeu o secretário municipal de Segurança Pública e delegado de Polícia Civil, Luiz Alves. Em conversa com o jornalista Ronaldo Nezo, o secretário rebatou as críticas intelectuais ao trabalho dos agentes, defendeu a legalidade das ações de rua e criticou discursos que, segundo ele, tentam inverter a lógica de proteção ao cidadão de bem.
Inversão da lógica social
Questionado sobre a existência de pressões do Ministério Público ou de setores políticos contra a presença forte da Guarda Municipal nas ruas, Luiz Alves afirmou que as vistorias ocorrem sob estrito respeito às leis, mas sem recuos diante de conveniências ideológicas. O secretário criticou a postura de correntes que tentam relativizar a conduta de infratores.
“Aparece aqueles defensores de marginal. Marginal, ele vai ali e compra uma arma, sei lá onde, no mercado paralelo, e fica assaltando por aí… O erro é esse que muita gente às vezes quer justificar o erro do malfeitor. Ele escolheu fazer aquilo ali errado. Assim como você escolheu fazer o certo. E você não pode punir quem quer fazer o certo. Você não pode privar uma pessoa de ir na praça dizendo que é perigoso. Você tem que fazer ela ficar segura. É o contrário da lógica”, asseverou o delegado.
Para o secretário, as abordagens baseadas na fundada suspeita são ferramentas técnicas indispensáveis para inibir o crime. “A sociedade quer ser salva, quer o problema resolvido. A roupa e o uniforme do herói, ela não analisa isso… Tem um cara traficando droga, eu quero que alguém resolva esse problema. E a Guarda está aí para isso”, declarou.
Polêmica no Carnaval
Outro ponto de fricção ideológica abordado na entrevista foi a repercussão negativa, por parte de alguns setores, do uso de spray de pimenta pela Guarda Civil Municipal para conter tumultos durante o último Carnaval na cidade. O delegado defendeu o procedimento como a menor intervenção física possível para o restabelecimento da ordem.
“É a medida mais leve que poderia ter sido adotada. Tem confusão? Fora daquilo ali, é escalada de força, aí você vai dar tonfa, que é o cassetete, você vai escalar para o equipamento de eletrochoque, para a bomba, para a granada, até a arma de fogo. Então, o primeiro mecanismo é o gás, porque ele dispersa… E foi o que aconteceu, sem ninguém machucado, sem nada. Aí colocaram como se fosse um procedimento inadequado, sendo que não é”, explicou Alves.
O gestor concluiu reafirmando que a corporação passa por estágios anuais de qualificação obrigatória e que a Guarda de Maringá é preparada para agir com firmeza e lisura, rejeitando discursos que tentem enfraquecer a autoridade policial frente aos malfeitores.
Serviço
O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com o delegado Luiz Alves está disponível no canal do Maringá Post no YouTube e nas plataformas de áudio.
Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio




















