O casal de jornalistas explica ao Ponto a Ponto como drones, softwares de gestão e a conectividade transformaram o trabalho rural em uma carreira de alta performance, atraindo as novas gerações e garantindo o futuro das propriedades.
A sucessão familiar, historicamente apontada como um dos maiores gargalos para a continuidade das propriedades rurais no Brasil, vive um momento de virada no Paraná. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, os jornalistas Sérgio Mendes e Rose Machado detalharam como a digitalização e a chegada da agricultura de precisão “oxigenaram” o setor, transformando a rotina no campo e tornando-a atraente para jovens que, até poucos anos, buscavam apenas o ambiente urbano.
Para Sérgio Mendes, que acompanha o setor há mais de três décadas, o fenômeno do êxodo rural está sendo substituído por um movimento de retorno qualificado. Ele explica que a “penosidade” do trabalho braçal deu lugar à gestão estratégica baseada em dados. “A tecnologia está fazendo o cara voltar e ele exige: ‘quer que eu volte?’, porque o pai já está numa idade, então está oxigenando novamente a propriedade”, afirmou o jornalista.
O fim do “achismo” e a ascensão do empresário rural
A reportagem mergulha na análise de Rose Machado sobre a mudança do perfil comportamental do produtor. Segundo ela, a transição entre gerações foi impulsionada pela necessidade de profissionalização. Rose relembra que o produtor do passado agia pelo instinto ou por tradição familiar, mas que o cenário atual não permite erros de cálculo.
“Saímos de uma situação de achismo, onde o produtor dizia: ‘ah, eu sempre fiz assim, vou continuar fazendo’. Não tinha uma planilha de custos, não tinha um planejamento. Hoje a gente vê essa evolução; o cara é o empresário do negócio”, pontuou Rose. Essa mudança de “status” da atividade rural foi o que permitiu que os filhos vissem na fazenda uma empresa rentável e tecnologicamente avançada, e não apenas um local de sacrifício físico.
A fazenda na palma da mão
Durante o episódio, Sérgio Mendes destacou que a conectividade transformou o produtor em um gestor de tempo real. Ele citou exemplos práticos de como a tecnologia remove as barreiras da distância e aumenta a eficiência operacional. “O cara tem hoje no celular o gerenciamento da propriedade dele. Daqui, se ele estivesse dando uma entrevista para você, ele conseguiria ver se uma máquina lá deu um probleminha, já apontou aqui. Ele conversando com você, já manda o técnico dar uma olhada”, explicou Sérgio.
Essa infraestrutura digital, que inclui drones de pulverização e colheitadeiras computadorizadas, mudou a dinâmica da família. De acordo com o casal, muitos filhos que se formaram em centros urbanos em áreas como Engenharia, Administração ou TI, agora retornam para aplicar esses conhecimentos na otimização da safra. “O filho estuda e quer voltar para a propriedade. Ele investe em softwares, quer um drone, vamos comprar uma máquina computadorizada”, reforçou Sérgio.
Serviço
A entrevista completa com Sérgio Mendes e Rose Machado, onde detalham também as experiências de tecnologia no deserto de Israel e o futuro do jornalismo rural, está disponível no canal do Maringá Post no YouTube.
Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio
